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terça-feira, 8 de maio de 2012

Avaliação na Educação Infantil



Os documentos oficiais da Educação Infantil tratam da questão da avaliação, defendendo e evidenciando que esse processo deve acontecer através de observação, registro e avaliação formativa sem a finalidade de promoção, ou como um pré requisito para o  ingresso no Ensino Fundamental. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional “na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental.” (LDB, 1996, artigo 31).


 As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI) orientam que a avaliação deve ser compreendida como parte do trabalho pedagógico, sem o objetivo de promoção ou classificação:



“As instituições de Educação Infantil devem criar procedimentos para acompanhamento do trabalho pedagógico e para avaliação do desenvolvimento das crianças, sem objetivo de seleção, promoção ou classificação, garantindo:
I - a observação crítica e criativa das atividades, das brincadeiras e interações das crianças no cotidiano;
II - utilização de múltiplos registros realizados por adultos e crianças (relatórios, fotografias, desenhos, álbuns etc.);
III - a continuidade dos processos de aprendizagens por meio da criação de estratégias adequadas aos diferentes momentos de transição vividos pela criança (transição casa/instituição de Educação Infantil, transições no interior da instituição, transição creche/pré-escola e transição pré-escola/Ensino Fundamental);
IV - documentação específica que permita às famílias conhecer o trabalho da instituição junto às crianças e os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança na Educação Infantil;
V - a não retenção das crianças na Educação Infantil.

(DCNEI, artigo 10, grifo nosso)






Outro importante documento oficial é o Referencial Curricular Nacional de Educação Infantil (RCNEI). Este defende que a avaliação deve acontecer através de observação, registro e avaliação formativa. Evidenciando a importância da “observação das formas de expressão das crianças, de suas capacidades de concentração e envolvimento nas atividades, de satisfação com sua própria produção com suas pequenas conquistas” como instrumento para a avaliação e no replanejamento da ação educativa.




“No que se refere à avaliação formativa, deve-se ter em conta que não se trata de avaliar a criança, mas sim as situações de aprendizagem que foram oferecidas. Isso significa dizer que a expectativa em relação à aprendizagem da criança deve estar sempre vinculada às oportunidades e experiências que foram oferecidas a ela.  (RCNEI, volume 2 , p. 65)
 
O professor deve assumir o papel de mediador, acompanhando e estimulando a construção do conhecimento das crianças.



O professor pode ajudar as crianças a perceberem seu desenvolvimento e promover situações que favoreçam satisfazer-se com suas ações. Uma expressão de aprovação diante de novas conquistas é uma das ações que pode ajudar as crianças a valorizarem suas conquistas. Uma conversa mostrando-lhes como faziam “antes” e como já conseguem fazer “agora” se configura num momento importante de avaliação para as crianças. (RCNEI, volume 2, p. 67)
 



Defendendo a necessidade de uma prática mais reflexiva e conhecedora de como os alunos aprendem e se desenvolvem, visando que a avaliação na Educação Infantil não tenha uma lógica avaliativa pautada na exclusão e no julgamento dos alunos, HOFFMANN nos alerta que, atualmente, a maioria dos instrumentos de avaliação privilegia um registro endereçado aos pais ou que apenas obedece às normas estabelecidas pela instituição, preocupando-se em mostrar o que a criança “alcançou” e deixando em segundo plano o acompanhamento de seu desenvolvimento, apresentando resultados que "não têm por objetivo subsidiar ação educativa no seu cotidiano, mas assegurar aos pais e à escola que as atividades estão se desenvolvendo e que a criança os está realizando" (HOFFMANN, 2001, p. 82).
 
Esses resultados muitas vezes vêm organizados em forma de notas ou conceitos, obtidos através de ações avaliativas que remetem à idéia de classificação. HOFFMANN (1996) aponta a existência de alguns tipos de avaliação formal na Educação Infantil, como os boletins de acompanhamento das crianças e as fichas de avaliação. Esses instrumentos formais de avaliação expressam certa contradição, nem sempre refletem o que realmente a criança desenvolveu durante o período ao qual se refere se resumindo em uma questão burocrática à que a escola deve obedecer.


 
Uma importante questão ressaltada pela autora é que os instrumentos avaliativos são, na sua grande maioria, elaborados pelas pessoas que não que trabalham diretamente com as crianças (como diretores, coordenadores pedagógicos, psicólogos), o que torna difícil para o professor o preenchimento de uma ficha que foi elaborada por outrem que não vivencia o cotidiano na sala de aula. Esta forma de compreender a avaliação resulta em um processo que minimiza o desenvolvimento da criança às habilidades exigidas no instrumento de avaliação, onde todos devem alcançar um mínimo estabelecido, sem considerar a criança como um todo.
É necessário que os educadores reconstruam a prática avaliativa, buscando efetivá-la como um processo que vise a acompanhar e valorizar o desenvolvimento das crianças. A avaliação deve se constituir como um constante questionamento e reflexão sobre a prática. A respeito disso, HOFFMANN afirma que:
 

''Nessa tarefa, de reconstrução da prática avaliativa, considero premissa básica e fundamental a postura de ‘questionamento’ do educador. Avaliação é a reflexão transformada em ação. Ação essa que nos impulsiona a novas reflexões. Reflexão permanente do educador sobre a realidade, e acompanhamento, passo a passo, do educando, na sua trajetória de construção do conhecimento. Um processo interativo, através do qual educandos e educadores aprendem sobre si mesmos e sobre a realidade escolar no ato próprio da avaliação.” (HOFFMANN, 1996, p 18)
 
É importante que a avaliação na educação infantil considere que “as crianças apresentam maneiras peculiares e diferenciadas de vivenciar as situações de interagir com os objetos do mundo físico. A cada minuto realizam novas conquistas, ultrapassando nossas expectativas e causando muitas surpresas” (HOFFMANN, 1996, p. 83).  Cada criança possui um ritmo próprio para construir seu conhecimento a partir de sua interação com o mundo, com as demais crianças e com os adultos, existindo assim a necessidade real de que o professor esteja atento a essas peculiaridades.



Há dois pressupostos básicos para uma proposta de avaliação na educação infantil: a observação atenta e curiosa sobe as manifestações de cada criança; e a reflexão sobre o significado dessas manifestações em termos de seu desenvolvimento.



 A partir da prática desses dois princípios, o professor terá elementos para refletir sobre o significado de cada conquista do aluno, suas dificuldades e possibilidades. Para que a observação e reflexão sejam possíveis, é importante que o professor utilize o registro como forma de acompanhamento de seus alunos.



O registro se torna um elemento indissociável do processo educativo, processo este que deve se constituir como uma prática contínua, tendo como objetivo o avanço no que diz respeito às observações sobre a criança, a professora e a instituição. Nessa concepção, a avaliação é a reflexão transformada em ação, configurando-se como mediadora entre o aluno e a construção do conhecimento, não podendo, portanto, ser estática nem ter caráter sensitivo e classificatório. (HOFMANN 1992).

CUSTÓDIO, Paula. Avaliação na Educação Infantil: A perspectiva da Creche UFFTrabalho de Conclusão de Curso (Pedagogia) – Universidade Federal Fluminense - Niterói, 2011




quarta-feira, 2 de maio de 2012

Jogos Tradicionais



       O brincar tem sido considerado o eixo principal da prática pedagógica na Educação Infantil,. Brincando, a criança desenvolve potencialidades, se desenvolve, faz amigos... 
        Vigotsky diz que, a  brincadeira,  principalmente aquelas que promovem a criação de situações imaginárias (faz-de-conta), tem nítida função pedagógica. A escola e, particularmente, a pré-escola poderiam se utilizar deliberadamente desse tipo de situações para atuar no processo de desenvolvimento das crianças. (Vigostsky apud Oliveira, 2004, 67).
          Levando em consideração a importância que  o brincar tem no desenvolvimento das crianças, tenho pensado no resgate de brincadeiras tradicionais.Listo aqui  sugestões   que podem ser explorados junto aos pequenos na Educação Infantil . Algumas dessas brincadeiras me enchem de boas lembranças , com o a minha infância com a minha avó, meus amiguinhos do jardim de infância... Outras,  só conheci enquanto educadora e tenho a oportunidade de ensiná-las aos meus alunos.

Vale a pena relembrar essas brincadeiras e tantas outras que fazem parte da sua história!!! 

Que tal  vivenciar  bons momentos os alunos utilizando essas brincadeiras?

Adoleta 

A-do-le-tá
Le-pe-ti
Pe-ti-pe-tá
Le café com chocolá
A-do-le-tá

Os componentes fazem formação de roda, onde se desloca a mão direita de forma a bater com a palma no dorso da mão direita do seu componente do lado e assim em diante. Este movimento segue a silabação da música. O último a ser batido de acordo com a silabação da música sai da brincadeira.


Amarelinha


1ª etapa - O primeiro jogador, joga a pedra na primeira casa (1) e com um pé só pula esta pisando no 2, depois no 3 e 4 ao mesmo tempo, depois no 5 com um pé só, e depois no céu ( 6 e 7) com os dois pés ao mesmo tempo. Vira e volta, quando chegar no 2 pega a pedra no 1 e pula fora. Depois joga no 2. Pula no nº 1 com um pé só, salta o 2 e assim por diante. Não pode pisar na linha senão é a vez do outro.
2ª etapa - Chutinho - Joga-se a pedra perto, antes da amarelinha. Começa a chutar sem tocar nos riscos, se errar é a vez de outra criança.
3ª etapa - Joga-se sem pedra com os olhos vendados, então diz: pisei? E as outras crianças respondem não. Se pisar e disserem sim é a vez de outra.
4ª etapa - De costas, joga a pedra por trás de si, sem ver ainda onde parou. Onde a pedra cair exclui-se marcando um x com giz. Vira e começa a pular igual à primeira etapa, porém na casa excluída pode-se pisar com os dois pés.


Batata Quente

Todos em roda, sentados no chão, com um objeto na mão vai passando e cantando a seguinte canção:
Batata que passa quente, batata que já passou, quem ficar com a batata, coitadinho se queimou!
Quando disser queimou, a pessoa que estiver com o objeto na mão, sai da roda.



Bolinha de Gude


Essa brincadeira tem várias formas de se jogar, como box, triângulo, barca e jogo do papão, onde os participantes devem percorrer determinados caminhos, batendo uma bolinha na outra e, ao final, acertar as caçapas. 



Cabra Cega


Escolha um lugar nem tão grande nem tão pequeno. Tire a sorte no par ou ímpar, no 0 ou 1 para ver quem será a cabra-cega. A cabra-cega deverá ter os olhos vedados com um lenço. Depois as crianças deverão rodar a cabra-cega e iniciar a brincadeira com as perguntas e respostas:
Todos: Cabra-Cega, de onde você veio?Cabra-Cega: Vim lá do moinho.Todos: O que você trouxe?Cabra-Cega: Um saco de farinha.Todos: Me dá um pouquinho?Cabra-Cega: Não.

Todos então saem correndo e a cabra-cega deverá tentar pegar alguém. Quando conseguir ela deverá adivinhar quem é. Se acertar a presa deverá ser a próxima cabra-cega, se errar a cabra-cega continua sendo a mesma de antes.Todos então saem correndo e a cabra-cega deverá tentar pegar alguém. Quando conseguir ela deverá adivinhar quem é. Se acertar a presa deverá ser a próxima cabra-cega, se errar a cabra-cega continua sendo a mesma de antes.

Carrinho de Mão

 Antes de iniciar o jogo, deve-se marcar uma linha de saída e uma de chegada. Separado em dois times, as crianças deverão se dividir em duas. Uma ficará na frente com as mãos no chão, a de trás irá segurar nos pés da primeira de modo que forme um carrinho. O que estiver com a mão no chão juntamente com o que estiver lhe segurando deverá correr até a linha de chegada. Ganha o time que chegar primeiro.


Cinco Marias 


Você poderá brincar de 5 Marias com cinco pedrinhas ou cinco saquinhos de pano. Os saquinhos poderão ser feitos com retalhos com enchimento de arroz.Deve-se tirar a sorte para ver quem iniciará o jogo. Inicia-se jogando os saquinhos para cima e onde caírem devem ficar. O jogador pega outro saquinho e joga para cima enquanto pega outro saquinho antes do primeiro cair no chão. Depois deverá jogar os dois saquinhos para cima e tentar pegar um terceiro saquinho do chão. E assim por diante. Ganha 1 ponto quem conseguir pegar os 5 saquinhos se não conseguir passa a vez.    



Chicotinho Queimado 


Escolhe um objeto para ser o chicotinho queimado, pode ser um pedaço de corda.Todas as crianças tapam os olhos, enquanto uma outra criança esconde o chicotinho queimado. Todas as crianças saem à procura do chicotinho já com os olhos destampados. À medida que alguma criança estiver perto, a que escondeu o chicotinho dirá está quente. Se estiver longe diz está frio. Esquentando ou esfriando conforme a distância. Diz pelando quando estiver muito perto do chicotinho. Aquela que achar pega o chicotinho e sai correndo atrás de outra criança. Aquela que for tocada levemente pelo chicotinho será a próxima a escondê-lo.



Cobrinha
 

Duas crianças seguram a corda perto do chão e começam a fazer ondulações. Três crianças começam a pular, quem tocar esbarrar na corda sai da brincadeira. Se uma sair entra outra no seu lugar. Vence quem conseguir ficar pulando mais tempo.
 



Elefantinho Colorido


As crianças ficam em roda e uma delas fala:
__   Elefante colorido!
Os outros perguntam:
__   De que cor ele é?
A criança deverá escolher uma cor e as outras deverão tocar em algo que tenha esta cor. Se não achar esta cor o elefantinho irá pegá-lo. 



 Lenço Atrás


Os componentes deverão tirar a sorte para ver quem ficará com o lenço. Deverão sentar na roda com as pernas cruzadas. Quem estiver segurando o lenço corre ao redor da roda enquanto o grupo fala:
Corre, cutia

Na casa da tia
Corre, cipó
Na casa da avó
Lencinho na mão
Caiu no chão
Moço bonito
Do meu coração.




O dono do lenço então pergunta:

-  Posso jogar?
E todos respondem:
-  Pode!

Um, dois, três!


Deixa então o lenço cair atrás de alguém da roda. Este deverá perceber, pegar o lenço e correr atrás de quem jogou antes que este sente no seu lugar. Se conseguir pegar aquele que jogou ele será o próximo a jogar o lenço, se não conseguir quem jogou o lenço continuará segurando o lenço para jogar atrás de outra pessoa.   


Passa AnelSentados numa roda o grupo tira a sorte para ver quem vai passar o anel. Todos devem unir as palmas das mãos e erguê-las na sua frente. Quem ganhou na sorte deve segurar o anel entre as palmas das mãos e passar as suas mãos pelas mãos dos componentes do grupo deixando o anel nas mãos de alguém que ele escolher, mas deve continuar fazendo de conta que continua passando o anel até o último do grupo.Ao final pergunta a um dos participantes onde está o anel? Se este acertar ele será o próximo a passar o anel. Se errar, quem recebeu o anel é que passará, começando novamente a brincadeira.  


Mamãe posso ir?

 Uma criança é escolhida para ser a mãe que deverá estar de olhos vendados ou de costas, enquanto as outras serão as filhas. As crianças ficam em uma certa distância da mãe atrás de uma linha marcada com giz. A primeira da direita começa a falar: - Mamãe posso ir? – Pode. – Quantos passos? Três de elefante. Este deverá dar três passos grandes em direção da mãe. A próxima criança pergunta: - Mamãe posso ir? – Pode. – Quantos passos? – Dois de cabrito. Este deverá dar dois passos médios em direção da mãe. O próximo pergunta: - Mamãe posso ir? – Pode. – Quantos passos. – Cinco de formiga. Este deverá dar cinco passos pequeninos em direção da mãe. Quem chegar primeiro na mamãe será a próxima mãe.


Serra, Serra, Serrador

 Brinca duas crianças, uma de frente para outra, de pé, dando-se as mãos. Começam a balançar de trás para frente, indo e vindo e cantando: - Serra, serra, serrador! Serra o papo do vovô! Quantas tábuas já serrou? Uma diz um número, por exemplo, quatro. Elas então deverão dar quatro giros com os braços sem soltarem as mãos.

Seu lobo


Escolhe-se uma criança para ser o lobo que deverá se esconder perto. As outras crianças deverão ir até onde o lobo está escondido e então cantam: vamos passear na floresta enquanto seu lobo não vem, seu lobo está? Então o lobo responder: estou tomando banho. As crianças dão outra volta cantando novamente até chegar perto da casa: vamos passear na floresta enquanto seu lobo não vem, seu lobo está? O lobo responde outra coisa: estou botando meu sapato e assim por diante cada vez o lobo dirá algo diferente que está fazendo, até quando estiver pronto. O lobo então sai sem falar nada atrás das crianças. A que ele conseguir agarrar será o próximo lobo.  




"Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem."

( Carlos Drummond de Andrade )


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Concepção de Educação Infantil na contemporaneidade brasileria


















Atualmente os documentos para Educação Infantil compartilham da concepção da criança como ser produtor de cultura, que se constrói nas relações sociais, e que precisa ter sua autonomia respeitada. Essa uma concepção,  que vê a criança como um ser particular, com características diferentes das dos adultos, e com direitos de cidadão ,  tem como base o referencial sócio-histórico da psicologia nos estudos da infância é encontrada  também nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil,  principal documento que regulamenta a EI hoje.

“Art. 4º As propostas pedagógicas da Educação Infantil deverão considerar que a criança, centro do planejamento curricular, é sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura.” (Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, BRASIL, 2009)


            À medida que a criança é compreendida como ser ativo, criador de cultura, é importante considerar seu processo de construção de significados nos diferentes momentos (como, em suas nas brincadeiras, gestos e palavras). Seguindo essa orientação teórica, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil trazem a avaliação como um processo pautado no acompanhamento do desenvolvimento das crianças através da:
I - a observação crítica e criativa das atividades, das brincadeiras e interações das crianças no cotidiano;
II - utilização de múltiplos registros realizados por adultos e crianças (relatórios, fotografias, desenhos, álbuns etc.);
III - a continuidade dos processos de aprendizagens por meio da criação de estratégias adequadas aos diferentes momentos de transição vividos pela criança (transição
casa/instituição de Educação Infantil, transições no interior da instituição, transição creche/pré-escola e transição pré-escola/Ensino Fundamental);
IV - documentação específica que permita às famílias conhecer o trabalho da instituição junto às crianças e os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança na Educação
Infantil;
V - a não retenção das crianças na Educação Infantil.
(Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, BRASIL, 2009, art. 10º)


  “Cuidar é educar, é acolher a criança, encorajá-la em suas descobertas; é ouvi-la em suas necessidades, desejos e inquietações; apoiá-la em seus desafios, reconhecendo-a como sujeito das práticas que a ela se dirigem” (KRAMER, 2009)

BIBLIOGRAFIA:
CUSTÓDIO, Paula. Avaliação na Educação Infantil: A perspectiva da Creche UFFTrabalho de Conclusão de Curso (Pedagogia) – Universidade Federal Fluminense - Niterói, 2011



quinta-feira, 26 de abril de 2012

Projeto Dinossauros


Ahh, os dinossauros!! Esses gigantes da pré-história habitam  o imaginário das crianças pequenas de  uma maneira incrível,  volta e meia eis que ressurgem as  inúmeras conversas sobre eles. E com essas conversas vêm também a possibilidade de explorar esse tema tão amplo.


Enquanto professora de Educação Infantil, tive a oportunidade de realizar um projeto sobre dinossauros. e tudo aconteceu  a partir da observação das brincadeiras com de miniaturas dinossauros, brincadeiras essas que nos mostraram o quanto esse tema era relevante para aquele grupo de crianças naquele momento. 

Estava então posto o desafio! Eu e as  demais educadoras que trabalhavam comigo na turma de crianças de 3 e 4 anos (GRUPO 2) na Creche UFF no ano de 2010, começamos a pensar atividades que contemplassem esse interesse dos pequenos. Tendo em vista  a concepção teórica da instituição, em que o projeto  não é algo previamente elaborado pelos educadores, mas  vai sendo  pensado e repensado cotidianamente por todos os participantes ( crianças e adultos) começamos a partir da história  " Uma noite no cemitério dos dinossauros" ( A. J. Wood)

Nossas conversas sobre dinossauros nos renderam ótimas experiências: 
  • Passeios  pelo campus da UFF em busca de fósseis (na Educação Infantil gravetos se transformam em fósseis) para construir a nossa réplica do Tiranossauro Rex ( ele foi eleito o mascote do projeto); 
  • Construção  de "ovos de dinossauro" com argila;
  • Construção de dinossauros com massinha;
  • Atividade de descoberta de  quantas crianças é preciso pra chegar ao tamanho do Tiranossauro Rex (atividade realizada no campo de futebol, utilizando uma fita com a medida do dinossauro. As crianças foram deitando ao lado  da fita e puderam ter noção do  real tamanho desse dinossauro.)
  • Exploração de literatura sobre  o tema
  • Desenhos realizados com diferentes materiais, para representar os dinossauros que vimos nos livros e nos vídeos
  • Pesquisas sobre os diferentes períodos em que os dinossauros viveram
  • Maquete com a vegetação  dos períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo
  • Exposição " a era dos dinossauros" com as nossas produções sobre o tema
  • Exibição do filme "Dinossauro" ( Disney, 2000)
  • Conhecimento das diferentes teorias que explicam a extinção dos dinossauros e escolha da teoria que a turma iria adotar
  • Teatro sobre a extinção dos dinossauros, onde foi dramatizada a teoria escolhida pela turma, levando em consideração as "novas teorias" que surgiram durante o nosso projeto
Enfim, foram inúmeras experiências que nos renderam um semestre de repleto de  descobertas e diversão. Até uma música nós tínhamos! Foram bons momentos, que valem a pena ser lembrados e compartilhados



Paródia da música  " Eu fico assim sem você"
Autoras : Paula Carolina e Suzana Rezende
Intérprete : Thiago


A ERA DOS DINOSSAUROS

Surgiram no deserto
Sem ninguém por perto
Há muitos anos atrás

Uns comiam carne
Outros comiam plantas 
Na era dos dinossauros

Eles eram ferozes sim
O Rex dá medo em mim
São lagartos bem gigantes
Com dentes afiados
Grandes e ferozes sim

Os Plateossauros só comiam plantas
Os _________ adoravam carne
Eles foram os primeiros habitantes
Desse período que era o Triássico

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Educadoras Paula Carolina e Suzana Rezende, junto à maquete construída pelas crianças. 



Pôster do projeto, apresentado na Jornada de Educação Infantil  (Creche UFF, 2010)

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Para saber mais sobre a concepção de projetos de Hernandez e Ventura:


HERNÁNDEZ, F. e VENTURA, M. A organização do currículo por projetos de trabalho (o conhecimento é uma caleidoscópio), Porto Alegre, ArtMed, 1998.


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Em defesa da boa música na Educação Infantil

A música está sempre presente na Educação Infantil, certo? Que tal usar música de qualidade com seus pequenos? 
Uma ótima opção é o DVD " Música de Brinquedo", do Pato Fu. Eu  e meus alunos do maternal I adoramos !!! Eles cantam , dançam  e  se divertem  ao som  desse projeto maravilhoso da banda. 


Super indico!!!





terça-feira, 24 de abril de 2012

Plano Carreira dos Professores do Rio


Pra você, que assim como eu, é servidor da Prefeitura da Cidade do Rio  de Janeiro :


 Lei nº 1.881, de 23 de julho de 1992, que institui o Plano de Cargos, Carreira e Remunerações dos servidores
da  Secretaria  Municipal  de  Educação

http://smaonline.rio.rj.gov.br/legis_consulta/16663Lei%201881_92.pdf

             A CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE INFÂNCIA E DE EDUCAÇÃO INFANTIL





      As concepções de infância vêm sendo construídas e modificadas durante a história, sendo possível constatar que nem sempre existiu um sentimento especifico relacionado à infância. De acordo FARIA (1997), que aborda o assunto com base nos estudos de Áries (...), durante a Idade Média não havia distinção entre os adultos e as crianças, sendo a criança considerada um adulto em miniatura. Por não haver essa diferenciação, as crianças realizavam as mesmas tarefas e vestiam-se da mesma forma que os adultos, sem que houvesse uma preocupação especial com a infância. A educação das crianças não era de responsabilidade de suas famílias. Aos sete anos de idade, as crianças eram afastadas de seus pais e iam morar com outras famílias. Nessas famílias, as crianças recebiam educação profissional prática, na condição de aprendizes. Nessa fase da história, os limites entre infância e adolescência eram incertos e mal percebidos, pois as crianças andavam misturadas com os adultos, participando das atividades da vida cotidiana junto com estes.
No século XVI, inicia-se uma nova forma de olhar para a criança.  Nessa época, o sentimento de infância era de que a criança era uma coisa “engraçadinha”, uma espécie de ser “exótico” e angelical. A criança nobre passa a ser vista como a alegria da família e a ser valorizada e começa a ser construído o sentimento de perda em relação às crianças, sendo guardados os retratos daquelas que morriam cedo e a ter uma maior preocupação com os cuidados relativos à criança.
A partir do século XVII, com base no pensamento moralista, a criança deixou de ser vista apenas como a diversão da família, pois o tratamento de paparicação dado a elas passou a ser considerado prejudicial. Nesse momento, o sentimento de infância corresponde a duas atitudes antagônicas: uma considera a criança ingênua e graciosa; e a outra, se contrapõe a esta, tornando a criança um ser um incompleto, que necessita da moralização.  Inicia-se então outro modelo de educação: a aprendizagem, que antes se dava a partir da convivência que as crianças tinham com os adultos no contato com as tarefas cotidianas, foi substituída pela aprendizagem teórica, nas escolas. Essa substituição da educação prática pela teórica gerou nos pais uma preocupação em vigiar seus filhos e de não mais deixá-los sob os cuidados de outra família, trazendo uma maior aproximação entre os membros da família que passam a se organizar em torno da educação das crianças.

            Uma prática muito utilizada pela educação moralizadora durante este período era o castigo corporal. Os castigos tornaram-se comuns, sendo utilizados pelos professores e pelas famílias, e tinham sua aplicação baseada na ideologia que considerava que a criança tinha uma natureza frágil.



            “A concepção de natureza frágil da criança era compartilhada pela pedagogia ‘‘tradicional’’, que considerava a natureza dos garotos originariamente corrompida, cabendo à educação disciplinar e inculcar regras através da ação direta do adulto e da permanente transmissão de modelos. Isso refletia a ideologia da época: moralização e enquadramento da criança.” (FARIA, 1997, p. 13)

            Até o século XVII, as vestimentas das crianças eram cópias fiéis da de um adulto. Essa situação começa a mudar, e representa um marco importante na constituição do sentimento de infância. A criança passa a ter um traje especifico à sua idade, que a distinguia dos adultos. A criação de trajes específicos para as crianças e a introdução dos castigos corporais são marcos que representam o inicio da infância. De acordo com FARIA (1997, p.14) “o vestuário e o chicote foram os primeiros instrumentos de separação das crianças dos adultos nas classes aristocráticas, marcando assim o reconhecimento da infância da classe dominante”. Vale ressaltar que as mudanças ocorridas referem-se às crianças da burguesia. As crianças pobres não foram alcançadas com essas mudanças e continuaram nas mesmas condições, sem ter um tratamento específico a sua idade.
             Por um longo período da história, não houve nenhuma instituição responsável por compartilhar a responsabilidade de educar e cuidar pela criança com seus pais e com a comunidade da qual faziam parte. O conceito de Educação Infantil, intrinsecamente ligado ao conceito de infância, vai se delineando e assumindo papeis que visam contemplar as necessidades de determinada sociedade em dado tempo histórico.
OLIVEIRA (2002) afirma que as instituições de educação infantil nasceram no século XVIII, em resposta à situação de pobreza, abandono e maus-tratos das crianças pequenas, cujos pais trabalhavam em fábricas, fundições e minas no contexto da Revolução Industrial que acontecia na Europa. Durante este século, a Educação Infantil foi marcada por ter um caráter tão somente assistencialista, num cenário de conflitos, onde as crianças eram vítimas de pobreza, abandono e maus-tratos, acarretando grande índice de mortalidade.
            ABRAMOVAY e KRAMER (1985) nos mostram que, no final do século XIX as creches começam a se preocupar com a educação, ultrapassando a função de apenas compensar as carências familiares das crianças. Nesse contexto, são criados, por exemplo, o Jardim da infância, por Froebel em 1873, na Alemanha; a Casa das crianças por Maria Montessori, que trabalhou com crianças pobres da Itália, e o trabalho de Reabody nos EUA.  Essas instituições preocupavam-se com a educação, contudo, tinham forte preocupação em compensar as ausências familiares das crianças.
            Até meados do século XIX, o atendimento de crianças em instituições como creches praticamente não existia no Brasil. No Brasil escravista, a educação das crianças negras e brancas era diferenciada.  As crianças negras eram incorporadas ao trabalho da mãe. Dos seis aos doze anos, desempenhavam tarefas auxiliares, e a partir do doze anos já eram consideradas adultas. Para os meninos brancos, a partir dos seis anos, iniciava-se o estudo de gramática, latim e boas maneiras. Quando completavam sete anos, os meninos passavam a ser considerados adultos e a se vestir como tal.
Como afirma FARIA (1997), a educação infantil no Brasil tem seu inicio marcado pela idéia de assistencialismo às crianças necessitadas. As instituições tinham como objetivo diminuir a mortalidade infantil e o atendimento ás crianças abandonadas.
            As ações voltadas para a infância no Brasil durante os séculos XVIII e XIX assumem um caráter higienista. A sociedade da época atribuía o grande número de mortes de crianças aos nascimentos ilegítimos (frutos da união entre escravos ou entre escravas e senhores) e à falta de educação moral, física, e intelectual das mães.  Essas preocupações levaram ao inicio do movimento higienista, movimento este que criticou veementemente o uso da roda e das amas de leite. 
Nesse período da história existiu a chamada Casa dos Expostos, instituição mais conhecida como “Roda”. Esse nome deve-se ao dispositivo que havia na porta, onde eram deixadas as crianças não desejadas. Geralmente a roda era utilizada para deixar os filhos das escravas que exerciam algum tipo de trabalho em que não era possível associá-lo aos cuidados com o filho, como por exemplo, o trabalho como ama de leite.
            Os médicos higienistas preocupavam-se com o uso das amas de leite e apresentavam como opção o uso de mamadeiras, pois ao usar a mamadeira a própria mãe estaria cuidando de seus filhos.
No inicio do século XX, surge então a necessidade de que as escravas ou ex-escravas assumissem os cuidados com a casa para que as mulheres pudessem cuidar de seus filhos. Nesse contexto, são criadas as primeiras creches brasileiras com o objetivo de cuidar dos filhos das trabalhadoras domésticas.
            A partir de marcos históricos como o fim da escravidão e a Proclamação da República, o Brasil começa a se inserir no modo capitalista de organização da sociedade, produzindo também outro modo de conceber a infância, de acordo com na ideologia capitalista dominante na Europa. Com a consolidação do modo capitalista de produção e organização social, a criança passa a ser vista como alguém que precisa ser preparada para o mercado de trabalho. Há ainda uma preocupação da classe dominante em difundir a ideologia de que todas as crianças têm os mesmos direitos, visando assim a formação do pensamento hegemônico.

            Para encobrir as contradições da sociedade capitalista, a ideologia dominante reproduz a crença num modelo único e abstrato de infância – da criança burguesa – daquela que vai ser cuidada, escolarizada e preparada para uma atuação futura, como se todas as crianças tivessem acesso às mesmas condições de vida e de ensino.” (FARIA, 1997, p17)

A educação é claramente caracterizada de acordo com a classe social a que essa criança pertence: às crianças da classe trabalhadora foi destinada uma escolarização denominada primária, com pouco tempo de duração e com o objetivo de preparar a mão de obra para o mercado de trabalho; aos filhos da burguesia, havia a possibilidade de ingresso no secundário, que era um ciclo de escolaridade mais longo, que precedia a Universidade. A escola passa a ser um instrumento de fragmentação da sociedade, onde apenas os mais ricos têm condições de seguir nos estudos e de se apropriar dos conhecimentos historicamente produzidos.
KRAMER (1992) comenta que a década de 30 é marcada por modificações políticas, econômicas e sociais ocorridas no cenário nacional, mudanças essas que  acarretaram mudanças na configuração de instituições voltadas à educação e à saúde. Em 1937, é Getúlio Vargas implanta o Estado Novo e a educação passa a se encarada como um instrumento que poderia garantir às novas gerações uma formação de acordo com os valores e normas preconizados pelo ideário daquela época.
Até a década de 1950, as poucas creches que existiam eram de responsabilidade de entidades filantrópicas laicas. O trabalho com as crianças nas creches tinha um caráter assistencial e toda preocupação da instituição de baseava em alimentar e cuidar da higiene e da segurança física das crianças. (KRAMER, 1992)
No contexto pós-segunda Guerra mundial, surge a preocupação com a situação social da infância e a idéia da criança como portadora de direitos. A promulgação em 1959, da Declaração dos Direitos da Criança é um fator importante para a concepção de infância como sujeito de direitos.
             
Como afirma SOUZA (1996), com a aprovação da  a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1961, a perspectiva acerca da educação infantil é aprofundada,  incluindo-a no sistema de ensino como pode ser observado no que dispunha os artigos 23 e 24 desta a Lei:
“Art. 23. A educação pré-primária destina-se aos menores de até 7 anos, e será ministrado em escolas maternais ou jardins-de-infância. Art. 24. As empresas que tenham a seu serviço mães de menores de sete anos serão estimulados a organizar e manter, por iniciativa própria ou em cooperação com os poderes públicos, instituições de educação pré-primária.” (Trechos da Lei nº 4024/61)

Na década de 1970, a educação infantil no Brasil no país passou a ser considerada a solução para compensar as deficiências educacionais, culturais da população.  Essa supervalorização ocorre baseada na teoria da privação cultural, que, de acordo com SOARES (2008), chega ao Brasil durante esta década e passa direcionar por muito tempo a Educação Infantil, enraizando uma visão assistencialista e compensatória. Essa teoria deu embasamento para a educação compensatória, cujo objetivo era a inserção das crianças das classes populares o mais cedo possível no ambiente escolar. De acordo com a teoria, estando na escola, essas crianças seriam retiradas do contexto familiar empobrecedor, e receberiam estímulos similares aos que as crianças da classe média recebem no ambiente social em que vivem tendo suas carências compensadas através da educação.
Com a Lei 5692/71, a educação básica foi prolongada de 4 para 8 anos de duração, passando o ensino de 1º grau, dirigido às crianças de 7 a 14 anos, a ser obrigatório em todo o estado Nacional, (KRAMER ,2002).

“Os sistemas de ensino velarão para que as crianças de idade inferior a sete anos recebam conveniente educação em escolas maternais, jardins de infância e instituições equivalentes.” (Lei 5692/71, artigo. 19- § 2º)

Embora a Lei 5692/71, apresente esse parágrafo sobre a educação infantil, este se apresenta de maneira genérica, e não se torna um estimulo para a expansão desse nível de ensino pelos organismos públicos, ficando sua prática restrita a algumas poucas escolas dos grandes centos urbanos do país.
            Em 1977 é criado um programa de educação Pré - Escolar de massa, intitulado Projeto Casulo, com o objetivo de preparar as crianças para a escolarização futura. “Sua tônica centrou-se no atendimento às carências nutricionais e recreativas das crianças” e em cuidar crianças para que as mães pudessem ingressar no mercado de trabalho.  (FARIA, 1997)
            Na década de 1980, a educação pré-escolar é marcada por problemas como: “a ausência de uma política global e integrada e a falta de coordenação entre programas educacionais e de saúde, a predominância do enfoque preparatório para o primeiro grau, a insuficiência de pessoal docente qualificado, a escassez de programas inovadores e a predominância de programas escolares sem o envolvimento das famílias e da comunidade”. (FARIA 1997). Essa conjuntura serviu de base para a elaboração do documento “III Plano Setorial de Educação, documento este que tratou  a educação pré-escolar:

“O documento aborda e educação pré-escolar em três momentos. No primeiro, sugere medidas que devem ser efetivadas em áreas ‘carentes’. No segundo diz que a educação pré-escolar deve ter uma perspectiva de ação preventiva. E no último momento, afirma que a educação pré-escolar deve ser prioridade nas regiões nordeste e sudeste por sua influencia decisiva no primeiro grau.” (FARIA 1997, p. 32). 

A década de 80 trouxe ainda outros marcos importantes para a historia da educação infantil no nosso país, como o II Congresso Brasileiro de Educação Pré-Escolar, que teve como temática central  a criança como cidadã e suas necessidades enquanto tal.  Em 1988, a Constituição reconhece no artigo 208, inciso IV, a educação em creches e pré-escolas como um direito da criança de zero a seis anos, que deve ser garantido pelo Estado como parte da educação básica. Pela primeira vez, a Constituição explicita a educação de zero a seis anos de idade, como sendo um dos deveres do Estado.
“O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de (...) atendimento em creche e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade. (Constituição Federal, 1988, artigo 2008, inciso IV)

Em 1990, foi promulgado o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.969/90) reafirmando e enfatizando o atendimento em creches e pré-escolas como parte dos direitos da criança. Com base na legislação acima mencionada, é possível afirmar que tanto a Constituição Federal de 1988 quanto o Estatuto da Criança e do Adolescente consideram as crianças brasileiras como sujeitos de direito, e a educação infantil em creches e pré-escolas como um direito que deve ser garantido pelo Estado.

A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a lei nº 9394/96, de 20 de dezembro de 1996, nos artigos nos artigos 29 e 30, trata sobre a Educação infantil, considerando-a como primeira etapa da educação básica:

 “A educação infantil, primeira etapa da educação básica tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.
A educação infantil será oferecida:
                                                                               I.            em creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade;
                                                                            II.            em pré-escolas, para crianças de quatro a seis anos de idade.”
(Lei nº 9394/96 artigos 29 e 30)

Para BARBOSA (2002), a LDB de 1996  busca romper com a separação entre instituições educativas e de cuidado, visando criar um novo modelo, onde o educar e o cuidar se tornem responsabilidade das instituições de educação infantil.

BIBLIOGRAFIA:

CUSTÓDIO, Paula. Avaliação na Educação Infantil : A perspectiva da Creche UFF. Trabalho de Conclusão de Curso (Pedagogia) – Universidade Federal Fluminense - Niterói, 2011.